quarta-feira, 7 de março de 2012

Um mal oculto



Quanto mais a conheço, mais me assusto.
Gente, como pode, uma doença ser tão pouco divulgada, e segundo uma matéria que eu vi, afeta 25% das mulheres, mas existe tratamento.

Co-dependência! Ela mesmo, que às vezes nos machuca tanto, e nem sabemos quem ela é.
É difícil ver em homens, mas existe também, porque geralmente quando se convive com um adicto, quem sempre toma as rédeas da situação é a mulher, por conta disso acaba sendo prejudicada. O pai, na maioria das vezes só acaba acatando ou tendo uma posição indiferente, ríspida.

A mulher ela tende a ser um pouco mais carinhosa, mais sentimental. Uma vez eu li um livro que falava, que a maioria das mulheres, tem uma fantasia do homem ser o príncipe encantado, e às vezes a fantasia é tão grande, que acaba se esquecendo que os defeitos existem, acabam se casando e tendo um relacionamento frustrado por conta dessas fantasias. Loucura né!
São casos e casos.


Vocês tem acompanhado os capítulos da co-dep da minha sogra. Esses últimos dias não falei com ela, apesar de ter um acontecido um episódio com o amado muito chato, e sei que até agora ele esta mal com isso, mas, graças a Deus só por hoje ele está limpo.
Mas tem sido uma batalha árdua, e tem sido bom evitá-la e o meu tempo está muito corrido. Falando nisso...Antes de falar sobre esse assunto, primeiramente, quero falar que está tudo bem, graças a Deus, estou numa correria que só, dormindo pouco, trabalhando e estudando bastante. E agora tenho revisado todo conteúdo estudado na faculdade aqui no trabalho, então estou quase sem tempo para postar, mas calma, não irei abandonar o blog e nem quero, que vocês são minhas forças virtuais!
Se porventura eu ficar um ou dois dias sem postar, é devido à correria mesmo.
Mas quer saber, tem me feito bem essa correria inteira, apesar do cansaço!
Voltando ao assunto de co-dependência, é muito importante reconhecer, admitir.
Por diversas vezes, minha sogra me ligou falando, “nossa hoje ele esta impossível”, mas na real, sempre estará, porque nem eu e nem ela iremos conseguir ter o controle dessa situação. Jamais conseguiremos tirar a vontade dele usar droga, é algo que sempre estará presente na vida dele, que ele terá que se adaptar, e ter uma vida regrada para sair desses pensamentos. Pessoas, lugares, hábitos, os fazem lembrar da vida ativa, é muito importante que tanto nós co-dependentes venhamos os ajudar a evitar pessoas, lugares, hábitos, que assim possamos dar o apoio que eles precisam. Mas impedir de usar drogas, jamais conseguiremos. Lembrando que a escolha de buscar recuperação tem que partir dele, e não de mim.E evitar P.L.H também é escolha da pessoa, se ela aceitar, ai sim podemos ajudá-las.

O relacionamento entre a família e o adicto é uma relação extremamente dolorosa. A família sente as dores do fracasso, da vergonha, do preconceito. Sente-se às vezes traída por quem elas mais amam, mas também o adicto tem suas dores. Ambos buscam um meio eficaz de como sair desta dor.
A primeira fuga da família, é a negação, ela tem certeza que todos os filhos dos vizinhos tem problemas, menos o seu (cuidado, às vezes é melhor ter um inimigo dizendo aos pais que seu filho usa drogas); depois da fase da negação e a realidade vindo à tona, refugiam-se então no circo do desespero. E por último a tendência por parte da família é agressividade e muitas cobranças
”.* 


É muito difícil aceitar isso do ente querido, são muitas as perguntas, e ai vira uma confusão na mente, então a melhor maneira de poder entender isso tudo é procurar um grupo de ajuda ou continuar tentando entender.

 Muitas de nós achamos que o nosso amor seria capaz de ajudá-los a sair dessa vida, que poderia ser diferente, mas nos enganamos. Que bom que não perdemos o amor e ainda estamos ajudando. O problema é quando perdemos o amor próprio.

Quando deixamos de viver nossas vidas, para viver em função do adicto.
O adicto ativo precisa de ajuda, mas convencê-lo a buscar recuperação, não é nossa parte, e sim do Poder Superior. Até porque, “santo de casa, não faz milagre”, e pode ter certeza que o adicto não vai querer te ouvir, por quê?
Exemplo: A criança está comendo um doce que ela gosta muito, vai e tira o doce da mão dela. Ela não irá chorar, fazer birra, etc?
Assim é o adicto, quando nós queremos que eles parem do usar drogas, quando eles querem usar; só que é um pouquinho mais avançado o comportamento.
Por isso, eu repito mais uma vez, é importante buscar ajuda, aconselhamento.
Não adianta querer enfiar a recuperação no adicto, tem que partir dele, apesar da dor, do sofrimento e todo conjunto que conhecemos, a escolha é dele.


Sintomas de co-dependência

A co-dependência se caracteriza por uma série de sintomas e atitudes mais ou menos teatrais, cheias de Mecanismos de Defesa, tais como:
1. - Dificuldade para estabelecer e manter relações íntimas sadias e normais, sem que grude muito ou dependa muito do outro;
2. - Congelamento emocional. Mesmo diante dos absurdos cometidos pela pessoa problemática o co-dependente mantém-se com a serenidade própria dos mártires;
3. - Perfeccionismo. Da boca para fora, ou seja, ele professa um perfeccionismo que, na realidade ele queria que a pessoa problemática tivesse;
4. - Necessidade obsessiva de controlar a conduta de outros. Palpites, recomendações, preocupações, gentilezas quase exageradas fazem com que o co-dependente esteja sempre super solícito com quase todos (assim ele justificaria que sua solicitude não é apenas com a pessoa problemática);
5. - Condutas pseudo-compulsivas. Se o co-dependente paga as dívidas da pessoa problemática ele “nunca sabe bem porque fez isso”, diz que não consegue se controlar;
6. – Sentir-se responsável pelas condutas de outros. Na realidade ele se sente mesmo responsável pela conduta da pessoa problemática, mas para que isso não motive críticas, ele aparenta ser responsável também pela conduta dos outros;
7. - Profundos sentimentos de incapacidade. Nunca tudo aquilo que fez ou está fazendo pela pessoa problemática parece ser satisfatório;
8. – Constante sentimento de vergonha, como se a conduta extremamente inadequada da pessoa problemática fosse, de fato, sua;
9. – Baixa auto-estima;
10. - Dependência da aprovação externa, até por uma questão da própria auto-estima;
11. - Dores de cabeça e das costas crônicas que aparecem como somatização da ansiedade;
12. - Gastrite e diarréia crônicas, como envolvimento psicossomático da angústia e conflito;
13. - Depressão. Resultado final.

Parece um nobre empenho ajudar a outras pessoas que se estão se autodestruindo, como no caso dos alcoolistas ou dependentes químicos, do jogo ou do sexo compulsivos. Entretanto, se quem ajuda se esquece de si mesmo, se entrega à vida da outra pessoa problemática, então estamos diante da
Co-dependência. A dor na co-dependência é maior que o amor que se recebe e se uma relação humana resulta prejudicial para a saúde física, moral ou espiritual, ela deve ser desencorajada.                        

Na realidade a co-dependência é uma espécie de falso-amor, uma vez que parece ser destrutivo, tendo em vista que pode agravar o problema em questão, seja a dependência química, alcoolismo, transtornos de personalidade, etc. Todo amor que não produz paz, mas sim angústia ou culpa, está contaminado de co-dependência, é um amor patológico, obsessivo é bastante destrutivo. Ao não produzir paz interior nem crescimento espiritual, a co-dependência cria amargura, angustia e culpa, obviamente, ela não leva à felicidade. Então, vendo desse jeito, a co-dependência aparenta ser amor, mas é egoísmo, medo da perda de controle, da perda da relação em si.                              


Recuperação da Co-dependência
                        

A co-dependência também pode ser agravante e desencadeante de depressão, suicídio, doenças psicossomáticas, e outros transtornos. Os grupos de ajuda para familiares de dependentes (químicos e alcoólicos) visam, principalmente, reverter este quadro, orientando os familiares a adotarem comportamentos mais saudáveis. Os profissionais acham que o primeiro passo em direção a esta mudança é tomar consciência e aceitar o problema.                 

O tratamento da co-dependência pode consistir de psicoterapia, grupos de auto- ajuda, terapia familiar e em alguns casos, antidepressivos e ansiolíticos. Os grupos de auto ajuda para familiares de dependentes, tais como, Alanom e Codependentes Anônimos são de grande utilidade no processo de recuperação familiar da co-dependência.*  


Esse texto todo serve para mim, serve para todas nós que convivemos com um adicto ou que um dia fomos adicto podemos nos tornar co-dependentes.

Apaixone-se por você mesmo. Ame-se primeiro para depois dar amor.
Não viva em função do adicto, até porque ele é escravo de uma droga, e você será igual a ele. A sua droga será o adicto.
Haja diferente, busque aconselhamento, busque ajuda.
Uma relação, seja ela amorosa, familiar, acaba nos machucando de alguma maneira, então, trate as feridas, para depois ajudar o ferido.


Uma vida serena, de amor e paz, com você mesmo!


Com o tempo,você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa,
você precisa,
em primeiro lugar,
não precisar dela.
Percebe também que aquele alguém
que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você,
definitivamente não é o alguém da sua vida.
Você aprende a gostar de você,
a cuidar de você e,
principalmente,
a gostar de quem também gosta de você.
O segredo é não correr atrás das borboletas…
é cuidar do jardim para que elas venham até você”. (Mário Quintana)










6 comentários:

  1. Mari, que postagem ótima, mergulhei nela!!!
    É assim mesmo, também me revolto por não ver esse transtorno ser divulgado como deveria, quanta gente sofrendo sem nem saber que há soluçao!!!
    Eu aprendi a lidar com a minha co, com minhas insanidades e altos e baixo, eu aprendi a viver o SPH, e é isso que importa na minha vida, o hoje!!!
    Adorei a postagem e fico feliz que está bem, na correria, isso é bom!
    Beijos

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    1. É revoltante Gi, porque todo mundo fala da dependência química, mas esquecem que a co-dep. atrapalha muito a recuperação do adicto.
      E graças a Deus eu tenho aprendido lidar com a minha, as vezes, ela quer gritar, falar mais alto, mas nós temos que ter o controle dessa situação.

      E a correria menina, tá grande..E tem sido ótimo estudar!

      Grande bejo

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  2. Olá Mari.
    Seu post fez passar um filme na minha cabeça.
    Antes de ser DQ eu era co dep e frequentava uma sala
    do Nar-Anon, mas infelizmente ao invés de ajudar
    pulei para dentro do poço.
    Admiro muito sua maturidade em lidar com tudo.
    Deus abençoe muito.

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    1. Querida fenixx, sempre bom te ver por aqui!

      Obrigado querida, eu quero admiro sua força de superação!
      Superar é uma grande conquista.

      Amém, você também!
      Grande beijo

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  3. Lindo Post mari, amei mesmo, ainda bem que no blog encontramos pessoas igual a gente, com meus problemas e objetivos, se recuperar sempre...
    Tamujuntas viu
    Um Beijãoooooo

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    1. Jé querida, tudo bem ?

      Eu super me identifico e fico feliz encontrar blogs com pessoas que relatam histórias igual ou semelhantes a nossa.
      E também sabe que sempre existe uma saida, uma solução para tudo!

      Tamujunta sempre!!!

      Grande beijoooo

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